terça-feira, 16 de novembro de 2010

A importância das TIC na vida de crianças com necessidades educativas especiais

           Actualmente, vivemos na chamada sociedade da tecnologia e, cada vez mais, esta é parte integrante na vida de todo o ser humano. Deste modo, podemos afirmar que, também, nas crianças com necessidades educativas especiais – autismo, no caso do nosso trabalho – a tecnologia tem-se revelado um modo de contínua aprendizagem e grandes conquistas, e consequentemente, espelho de progressiva interacção.
Assim, a escola actual, também designada de “escola inclusiva”, tem o dever de identificar e satisfazer as necessidades distintas dos seus alunos, nomeadamente aqueles com necessidades educativas especiais, bem como o facto de compreender e adaptar-se aos diferentes ritmos de aprendizagem. Para tal, torna-se fulcral não só desenvolvimento de estratégias pedagógicas diversificadas, mas também o envolvimento da comunidade escolar e encarregados de educação.
Sabe-se que as Tecnologias de Informação e Comunicação contribuem, de modo notório, para o processo de ensino-aprendizagem na vida de crianças com autismo, uma vez que possuem um papel facilitador e promovem a existência da “escola inclusiva”. Portanto, é fundamental a intervenção educativa especializada bem como meios e cuidados especiais.
As TIC, na vida quotidiana das crianças com necessidades educativas especiais, podem promover:
·         O acesso ao conhecimento
·         O acesso à aprendizagem
·         A ocupação dos tempos livres
·         O desenvolvimento de capacidades cognitivas e intelectuais
·         A interacção social e, respectiva integração
·         A fuga à rotina.

Deste modo, é-nos permitido afirmar que as TIC detêm um papel enriquecedor no dia-a-dia das crianças com necessidades educativas especiais, visto que aumentam a sua eficiência e, por conseguinte, a sua realização pessoal, e, ainda, desenvolve as suas capacidades para aceder e controlar tecnologias com elevado nível de satisfação e realização. Por isso, é necessário e de extrema importância o desenvolvimento de software educativo com qualidade e que seja resposta às necessidades destas crianças. É conhecido que o computador pode contribuir para resolver algumas as dificuldades das crianças com autismo, nomeadamente no domínio da língua e da escrita. Tal superação destas dificuldades pode, até certo ponto, melhorar significativamente a auto-estima e auto-confiança de crianças com necessidades educativas especiais. 
As potencialidades das Tecnologias da Informação e Comunicação são cada vez maiores, promovendo um novo paradigma de sociedade, que poderá facilitar a integração das pessoas com deficiências na vida activa.
Ao contrário do que se possa pensar, as crianças portadoras de autismo, apesar de apresentarem diversas dificuldades de comunicação e interacção, detêm elevadas aptidões de memória e compreendem processos lógicos simples. Portanto, as TIC constituem um recurso essencial no desenvolvimento da capacidade de expressão, de criação e de aprendizagem.   
A relação entre as TIC e as propostas do professor (associadas à tecnologia) são um contributo fundamental para o processo de ensino-aprendizagem da criança autista. Esta associação proporciona novas possibilidades ao professor e, consequentemente, à criança, através de novas estratégias de ensino.
É, assim, indispensável explorar as possibilidades que o computador, por exemplo, nos oferece, utilizar programas já existentes, reconhecer e identificar quais os programas que melhor se aplicam às necessidades educativas da criança, bem como qual a melhor forma de o usar.
As crianças com necessidades educativas especiais têm o direito a receber apoios adequados, tendo como objectivo desenvolver as suas capacidades, visando a sua integração escolar e social, com o máximo grau de autonomia e realização.
A criação de situações de ensino estruturado com o apoio de estruturas visuais e de actividades adequadas às necessidades das crianças autistas procura:
·         Potenciar a motivação;
·         Aumentar os tempos de atenção partilhada, de interacção social e de comunicação;
·         Desenvolver os tempos de concentração e de interesse pelas actividades propostas e respectivos materiais;
·         Manter e aumentar a capacidade em actividades motoras e verbais;
·         Aumentar a consistência da resposta em contextos variados;
·         Desenvolver a competência para iniciar, realizar e terminar tarefas de modo autónomo.

É de salientar que educar crianças com Perturbação do Espectro Autista é, actualmente, viável e possível de modo inclusivo. Contudo, transporta consigo enormes e variados desafios. As dificuldades de linguagem constituem um obstáculo à comunicação e a negação à mudança de rotina não permitem a utilização de técnicas pedagógicas, ditas tradicionais. Assim, as TIC proporcionam não só a criação de ambientes estruturados mas também actividades ou estratégias aplicadas de forma detalhada e sequenciada que motivam a criança autista, tornando possível o seu desenvolvimento, tanto cognitivo como pedagógico.

Sem comentários:

Enviar um comentário