"Para a maioria das pessoas, a tecnologia
torna a vida mais fácil; para a pessoa
deficiente, a tecnologia torna as coisas
possíveis."
Sanches(1991,p.121)
Para uma verdadeira inclusão concilia-se com uma educação para todos e com um ensino especializado no aluno, mas não se consegue implantar uma opção de inserção tão revolucionária sem enfrentar um desafio ainda maior: o que recai sobre o factor humano. Os recursos físicos e os meios materiais para a efectivação de um processo escolar de qualidade cedem sua prioridade ao desenvolvimento de novas atitudes e formas de interacção, na escola, exigindo mudanças no relacionamento pessoal e social e na maneira de se efectivar os processos de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, a formação do pessoal envolvido com a educação é de fundamental importância, assim como a assistência às famílias, enfim, uma sustentação aos que estarão directamente implicados com as mudanças é condição necessária para que estas não sejam impostas, mas imponham-se como resultado de uma consciência cada vez mais evoluída de educação e de desenvolvimento humano.
É hoje impensável não tentar proporcionar aos alunos a quem é diagnosticada a existência de Dificuldade de Aprendizagem a possibilidade de acederem a um ensino individualizado que lhes permita virem a adquirir as competências mínimas e essenciais à sua integração na sociedade. Deste modo, a filosofia que subjaz a qualquer sistema de ensino (por muito tradicionais ou rígidos que sejam os princípios ou filosofias em que se baseia) no sentido de proporcionar igualdade de oportunidades e respeitar as diferenças e características de cada aluno, encarado como um universo particular, tornar-se-á uma realidade. Os professores recorrem cada vez mais ao PC para apresentar as materiais de forma aliciante e diferente, assim as T.I.C. são um valioso contributo no processo ensino de aprendizagem de crianças com N.E.E.
O grau de autismo varia segundo um eixo que vai de severo a ligeiro, se bem que o efeito seja sempre grave. Uma pessoa pode ter autismo severo com graves dificuldades de aprendizagem e ser assim extremamente deficiente ou ter autismo ligeiro e inteligência normal ou elevada. A maioria das pessoas com autismo tem dificuldades de aprendizagem. O desenvolvimento da linguagem é muito variável no autismo. Certas pessoas têm linguagem desenvolvida tendo contudo limites de compreensão e dificuldades de linguagem, enquanto grande parte daquelas que têm autismo típico não falam. A hipersensibilidade aos barulhos, à luz e ao tacto, ao cheiro tal como uma fraca reacção à dor são muito frequentes. A maioria das crianças não fala e, quando falam, é comum a ecolalia (repetição de sons ou palavras), inversão pronominal. O comportamento delas é constituído por actos repetitivos e estereotipados; não suportam mudanças de ambiente e preferem um contexto inanimado. O isolamento social é outro característico do autismo. Outra particularidade comum no autismo é a insistência na repetição. Por isso é que as pessoas com autismo seguem rotinas, por vezes de forma extremamente rígida, ficando muito perturbadas quando qualquer acontecimento impede ou modifica essas rotinas. O balançar do corpo, os gestos e os sons repetitivos são vulgares, sendo mais frequentes em situações de maior ansiedade.
Face à emergência do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (T.I.C.) no processo educativo de crianças com e sem Necessidades Educativas Especiais (N.E.E.) debruçamo-nos sobre “Tecnologias de Informação e Comunicação e Crianças com Necessidades Educativas Especiais - Perturbações do Espectro do Autismo”, no sentido de partilhar com outros profissionais, hardware e software que se pode utilizar na prática educativa.