terça-feira, 16 de novembro de 2010

TIC e as crianças com necessidades educativas Especiais - Autismo

"Para a maioria das pessoas, a tecnologia
 torna a vida mais fácil; para a pessoa
deficiente, a tecnologia torna as coisas
possíveis."   
Sanches(1991,p.121)

Filmes Recomendados acerca do Autismo

Rain Man

               Uma odisseia pela camaradagem e auto-revelação

    Num papel que lhe valeu um Oscar, Dustin Hoffman junta-se a Tom Cruise e oferecem-nos esta divertida e comovente história de amor fraternal. O materialista Charlie Babbit espera receber uma vasta herança após a súbita morte do pai. Mas é a Raymond, o seu irmão mais velho, internado numa instituição psiquiátrica e de quem Charlie nunca tinha ouvido falar, a quem toda a fortuna vai afinal parar. Raymond é um "sábio autista", com grandes limitações mentais em algumas áreas mas surpreendentemente genial noutras. Quando Charlie rapta Raymond, a louca corrida através do país até Los Angeles ensina-lhes algumas lições sobre a vida. À medida que ultrapassam a mútua desconfiança, um forte laço começa a uni-los, enquanto partilham memórias do passado, problemas do presente e um possível e auspicioso futuro lado a lado.



Série "37"

 Esta série retrata um caso de um homícidio, em que uma criança com autismo desvenda o mesmo, através de desenhos, devido à dificuldade de comunicação.


Neste episódio, é possível verificar a dificuldade de comunicação do menino com autismo, contribuindo para o seu isolamento e "transparência", que o levou a assistir ao homicidio. Tal facto, prejudicou o seu desenvolvimento psicomotor e psicológico.



Neste último episódio, verifica-se que apesar das limitações da criança autista, consegue expressar-se, não de forma verbal, mas através de desenhos, desvendando o homicida. Deste modo, comprovou-se que a criança se tornou num elo fundamental para o fecho deste caso.



 

Conclusão final: Serão (ou não) as TIC importantes na vida de uma criança Autista?

De uma forma conclusiva poderemos afirmar que as T.I.C. tornam o dia-a-dia de pessoas com N.E.E. mais fácil, contribuindo para a preparação e reabilitação destas crianças. Quando estamos a trabalhar no mundo da Educação , principalmente com estas crianças, não nos podemos esquecer da envolvente pedagógica que deverá estar sempre presente.
É neste enquadramento que surge o computador e os materiais a ele associados que se tornam interlocutores sempre disponíveis, desmistificados e humanizados com um papel preponderante no processo ensino aprendizagem contribuindo para a comunicação autonomia, a socialização, motricidade, estimulando o trabalho da criança e favorecendo a sua aprendizagem.
Não se pode estabelecer uma distinção entre programas baseados na escola e programas baseados em casa, pois, na maior parte dos casos, o ensino e a aprendizagem têm que ter lugar em ambos os contextos para actuarem de forma eficaz na melhoria da qualidade de vida da criança, tanto no momento presente, como no futuro. Os professores têm que ajudar os pais a conceber programas que conduzam à aquisição de aptidões para a vida diária, bem como as que desenvolvam as brincadeiras e as actividades de lazer. Podem, ainda, comunicar quais as estratégias que verificaram ser mais eficazes ao lidar com a criança em casa.
     Sejam quais forem os programas adoptados, não podem limitar-se a modificar meramente os comportamentos (embora as técnicas de modificação dos comportamentos possam fazer parte dos programas); têm que incluir a compreensão das dificuldades sentidas pelas crianças devido ao seu autismo, e de quaisquer outras dificuldades adicionais de aprendizagem que tenham. Acresce que essa compreensão, mais do que qualquer outro facto, permite ao professor centrar a atenção nos pontos fortes e fracos da criança, e conceber programas capazes de intensificar tanto as suas aptidões como a sua interacção social.
Não nos devemos esquecer nunca que para a criança com autismo este mundo é tão estranho para ela, como ela nos parece a nós, e que não há receitas milagrosas prontas a usar em qualquer situação.

A formação dos educadores e pais face a esta doença e às TIC

A formação de professores é uma questão muito importante para o sucesso da integração correcta das novas tecnologias e do apoio prestado aos alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem. A formação inicial de professores é muito carenciada, existe ainda a falta de docentes com formação em educação especial. As dificuldades sentidas pelos profissionais que têm alunos deste cariz são inúmeras, desde a falta de formação, falta de condições materiais adequadas, falta de pessoal auxiliar de acção educativa preparado para prestar apoio, barreiras arquitectónicas por ultrapassar, até à simples desmotivação que a classe docente vive neste momento.
 Para uma verdadeira inclusão concilia-se com uma educação para todos e com um ensino especializado no aluno, mas não se consegue implantar uma opção de inserção tão revolucionária sem enfrentar um desafio ainda maior: o que recai sobre o factor humano. Os recursos físicos e os meios materiais para a efectivação de um processo escolar de qualidade cedem sua prioridade ao desenvolvimento de novas atitudes e formas de interacção, na escola, exigindo mudanças no relacionamento pessoal e social e na maneira de se efectivar os processos de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, a formação do pessoal envolvido com a educação é de fundamental importância, assim como a assistência às famílias, enfim, uma sustentação aos que estarão directamente implicados com as mudanças é condição necessária para que estas não sejam impostas, mas imponham-se como resultado de uma consciência cada vez mais evoluída de educação e de desenvolvimento humano.
Como refere o diploma da Resolução do Conselho de Ministros, “O domínio dessas tecnologias por parte dos alunos só será cabalmente atingido quando os próprios professores estiverem conscientes das potencialidades das tecnologias da informação e comunicação e as soubessem, também eles, potenciar na sua acção pedagógica.”
 Os professores são naturalmente os primeiros agentes desse trabalho, fazendo uso, diariamente, dos mais variados recursos e processos de operacionalização, no sentido de tentarem dar resposta a aspectos de ordem pedagógica, psicológica e social, de modo a que os seus alunos possam adquirir e aplicar conhecimentos enquanto, simultaneamente, desenvolvem a sua competência.
As crianças aprendem a trabalhar com muita facilidade com o computador devido à sua “plasticidade mental”. Enquanto o auxiliar de ensino poderá proporcionar simulações de actividades que de outro modo o aluno nunca teria oportunidade de experimentar.
Não se pode estabelecer uma distinção entre programas baseados na escola e programas baseados em casa, pois, na maior parte dos casos, o ensino e a aprendizagem têm que ter lugar em ambos os contextos para actuarem de forma eficaz na melhoria da qualidade de vida da criança, tanto no momento presente, como no futuro. Os professores têm que ajudar os pais a conceber programas que conduzam à aquisição de aptidões para a vida diária, bem como as que desenvolvam as brincadeiras e as actividades de lazer. Podem, ainda, comunicar quais as estratégias que verificaram ser mais eficazes ao lidar com a criança em casa.

Exemplo verídico de um caso de Autismo

O exemplo verídico no qual nos baseamos é o do Victor. Tem oito anos e é autista. O Victor revela uma enorme capacidade motora que se opõe à dificuldade de comunicação. Contudo, leva um estilo de vida perfeitamente normal. À semelhança da maioria das crianças da sua idade adora navegar na Internet e fazer download de jogos, que, posteriormente, joga e com elevada capacidade.
Concluímos, assim, que crianças como o Victor, portadoras de autismo, podem seguir uma vida normal e ser felizes com todas as suas conquistas do dia-a-dia.

A Federação Portuguesa de Autismo

A Federação Portuguesa de Autismo é uma pessoa colectiva de direito privado com a natureza de instituição particular de solidariedade social, com sede em Lisboa. Foi fundada em 2003 mas iniciou as suas actividades em Janeiro de 2004.   Tem âmbito nacional e substitui a organização nacional APPDA, Associação Portuguesa para a Protecção aos Deficientes Autistas (anteriormente denominada Associação Portuguesa para a Protecção às Crianças Autistas), fundada em 1971, membro da Associação Internacional Autisme-Europe desde 1988. A Presidente da Federação foi Vice-presidente do Autisme-Europe de 1990 a 2008. Os membros da Federação são ONGs do desenvolvimento, sem fins lucrativos, Instituições Particulares de Segurança Social, parcialmente financiadas pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social. O restante financiamento é feito através das cotizações dos membros, donativos e patrocínios.                                                                                                                                      A Federação Portuguesa de Autismo deve promover e apoiar as iniciativas dos seus membros e ajudar a implementar novas organizações. Representa os seus membros junto das organizações públicas e privadas, portuguesas ou estrangeiras que perseguem os mesmos fins.

Integração Vs Exclusão: Escola (de qualidade) para Todos

Uma das opções de integração escolar denomina-se mainstreaming, ou seja, "corrente principal" e seu sentido é análogo a um canal educativo geral, que em seu fluxo vai carregando todo tipo de aluno com ou sem capacidade ou necessidade específica. O aluno com deficiência mental ou com dificuldades de aprendizagem, pelo conceito referido, deve ter acesso à educação, sua formação sendo adaptada às suas necessidades específicas. Existe um leque de possibilidades e de serviços disponíveis aos alunos, que vai da inserção nas classes regulares ao ensino em escolas especiais. Este processo de integração se traduz por uma estrutura intitulada sistema de cascata, que deve favorecer o "ambiente o menos restritivo possível", dando oportunidade ao aluno, em todas as etapas da integração, transitar no "sistema", da classe regular ao ensino especial.
 A noção de inclusão não é incompatível com a de integração, porém institui a inserção de uma forma mais radical, completa e sistemática. O conceito refere-se à vida social e educativa e todos os alunos devem ser incluídos nas escolas regulares e não somente colocados na "corrente principal". O vocábulo integração é abandonado, uma vez que o objectivo é incluir um aluno ou um grupo de alunos que já foram anteriormente excluídos; a meta primordial da inclusão é a de não deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo. As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em função dessas necessidades. A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. O impacto desta concepção é considerável, porque ela supõe a abolição completa dos serviços segregados. A metáfora da inclusão é a do caleidoscópio. Esta imagem foi muito bem descrita no que segue: "O caleidoscópio precisa de todos os pedaços que o compõem. Quando se retira pedaços dele, o desenho se torna menos complexo, menos rico. As crianças se desenvolvem, aprendem e evoluem melhor em um ambiente rico e variado”.
A inclusão propiciou a criação de inúmeras outras maneiras de se realizar a educação de alunos com deficiência mental nos sistemas de ensino regular, como as "escolas heterogéneas" Resumindo, a integração escolar, cuja metáfora é o sistema de cascata, é uma forma condicional de inserção em que vai depender do aluno, ou seja, do nível da sua capacidade de adaptação às opções do sistema escolar, a sua integração, seja em numa sala regular, numa classe especial, ou mesmo em instituições especializadas. Trata-se de uma alternativa em que tudo se mantém, nada se questiona do esquema em vigor. Já a inclusão institui a inserção de uma forma mais radical, completa e sistemática, uma vez que o objectivo é incluir um aluno ou grupo de alunos que não foram anteriormente excluídos. A meta da inclusão é, desde o início não deixar ninguém fora do sistema escolar, que terá de se adaptar às particularidades de todos os alunos para concretizar a sua metáfora - o caleidoscópio.

As TIC contribuem para a interacção social destas crianças?

Uma das características do autismo é a dificuldade de relacionamento e comunicação. As crianças autistas revelam distúrbios comportamentais. Assim, pretendemos demonstrar o modo como as TIC podem auxiliar as crianças autistas a integrar-se e interagir bem como a comunicar.
A escola é baseada num ambiente social, na qual a interacção é a chave da mesma. A diversidade, formas alternativas de aprendizagem e a inclusão constituem alguns dos seus pilares.
Deste modo, um dos objectivos da escola é conseguir que a aprendizagem chegue a cada aluno, através de estratégias que satisfaçam as necessidades de cada aluno. Para tal, a criança autista necessita de programas especializados, que lhe possibilitem alcançar o processo de ensino-aprendizagem, bem como a consequente integração e interacção.
As Tecnologias de Informação e Comunicação contribuem para o desenvolvimento de crianças portadoras de autismo, dado que proporcionam um melhor desempenho e, ainda, um notório progresso da sua expressividade, factos que se reflectem na conquista de confiança e, por conseguinte, na comunicação e interacção social. Assim, a Internet confere à criança com autismo momentos de fuga à rotina e de total imprevisibilidade, aspecto importante na vida destas crianças, pois a negação à rotina é uma das características do autismo.
As tecnologias têm aberto novos horizontes de interacção, quer escolar, quer social, e de interactividade. Podemos afirmar, portanto, que as TIC aumentam a qualidade de vida, as possibilidades de expressão e de inserção social, a aquisição de valores, uma certa independência e afectividade, o que faz com que cada dia seja mais uma conquista na vida destas crianças.
Deste modo, as aplicações informáticas podem constituir não só meras ferramentas, mas também ambientes que favoreçam a comunicação e expressão.
Não é o computador por si só que contribuirá para o desenvolvimento cognitivo ou afectivo da criança, pois as interacções entre alunos e professores, o tipo de situações a que os alunos são expostos ou criam, isto é, aquilo que caracteriza uma certa comunidade de prática, constituem os aspectos determinantes no processo de aprendizagem das crianças com autismo.
As limitações que as crianças autistas encontram para interagir com o meio impedem o desenvolvimento de habilidades que formam a base do seu processo de aprendizagem, acabando por adquirir uma atitude passiva. Contudo, essas limitações podem ser superadas pelas tecnologias, que se revelam como uma ferramenta, na qual expressam as suas ideias e desejos e que contribui para a sua inclusão. Tal facto é facilitado pela simples adaptação às TIC, uma vez que estas se adequam às necessidades de cada criança, independentemente do seu nível de autismo.
Logo, podemos concluir que as TIC contribuem, de forma clara, para a interacção social das crianças com autismo, pois constituem uma ferramenta lúdica e pedagógica, na qual expressam as suas ideias mais profundas e os seus desejos mais escondidos.

A importância das TIC na vida de crianças com necessidades educativas especiais

           Actualmente, vivemos na chamada sociedade da tecnologia e, cada vez mais, esta é parte integrante na vida de todo o ser humano. Deste modo, podemos afirmar que, também, nas crianças com necessidades educativas especiais – autismo, no caso do nosso trabalho – a tecnologia tem-se revelado um modo de contínua aprendizagem e grandes conquistas, e consequentemente, espelho de progressiva interacção.
Assim, a escola actual, também designada de “escola inclusiva”, tem o dever de identificar e satisfazer as necessidades distintas dos seus alunos, nomeadamente aqueles com necessidades educativas especiais, bem como o facto de compreender e adaptar-se aos diferentes ritmos de aprendizagem. Para tal, torna-se fulcral não só desenvolvimento de estratégias pedagógicas diversificadas, mas também o envolvimento da comunidade escolar e encarregados de educação.
Sabe-se que as Tecnologias de Informação e Comunicação contribuem, de modo notório, para o processo de ensino-aprendizagem na vida de crianças com autismo, uma vez que possuem um papel facilitador e promovem a existência da “escola inclusiva”. Portanto, é fundamental a intervenção educativa especializada bem como meios e cuidados especiais.
As TIC, na vida quotidiana das crianças com necessidades educativas especiais, podem promover:
·         O acesso ao conhecimento
·         O acesso à aprendizagem
·         A ocupação dos tempos livres
·         O desenvolvimento de capacidades cognitivas e intelectuais
·         A interacção social e, respectiva integração
·         A fuga à rotina.

Deste modo, é-nos permitido afirmar que as TIC detêm um papel enriquecedor no dia-a-dia das crianças com necessidades educativas especiais, visto que aumentam a sua eficiência e, por conseguinte, a sua realização pessoal, e, ainda, desenvolve as suas capacidades para aceder e controlar tecnologias com elevado nível de satisfação e realização. Por isso, é necessário e de extrema importância o desenvolvimento de software educativo com qualidade e que seja resposta às necessidades destas crianças. É conhecido que o computador pode contribuir para resolver algumas as dificuldades das crianças com autismo, nomeadamente no domínio da língua e da escrita. Tal superação destas dificuldades pode, até certo ponto, melhorar significativamente a auto-estima e auto-confiança de crianças com necessidades educativas especiais. 
As potencialidades das Tecnologias da Informação e Comunicação são cada vez maiores, promovendo um novo paradigma de sociedade, que poderá facilitar a integração das pessoas com deficiências na vida activa.
Ao contrário do que se possa pensar, as crianças portadoras de autismo, apesar de apresentarem diversas dificuldades de comunicação e interacção, detêm elevadas aptidões de memória e compreendem processos lógicos simples. Portanto, as TIC constituem um recurso essencial no desenvolvimento da capacidade de expressão, de criação e de aprendizagem.   
A relação entre as TIC e as propostas do professor (associadas à tecnologia) são um contributo fundamental para o processo de ensino-aprendizagem da criança autista. Esta associação proporciona novas possibilidades ao professor e, consequentemente, à criança, através de novas estratégias de ensino.
É, assim, indispensável explorar as possibilidades que o computador, por exemplo, nos oferece, utilizar programas já existentes, reconhecer e identificar quais os programas que melhor se aplicam às necessidades educativas da criança, bem como qual a melhor forma de o usar.
As crianças com necessidades educativas especiais têm o direito a receber apoios adequados, tendo como objectivo desenvolver as suas capacidades, visando a sua integração escolar e social, com o máximo grau de autonomia e realização.
A criação de situações de ensino estruturado com o apoio de estruturas visuais e de actividades adequadas às necessidades das crianças autistas procura:
·         Potenciar a motivação;
·         Aumentar os tempos de atenção partilhada, de interacção social e de comunicação;
·         Desenvolver os tempos de concentração e de interesse pelas actividades propostas e respectivos materiais;
·         Manter e aumentar a capacidade em actividades motoras e verbais;
·         Aumentar a consistência da resposta em contextos variados;
·         Desenvolver a competência para iniciar, realizar e terminar tarefas de modo autónomo.

É de salientar que educar crianças com Perturbação do Espectro Autista é, actualmente, viável e possível de modo inclusivo. Contudo, transporta consigo enormes e variados desafios. As dificuldades de linguagem constituem um obstáculo à comunicação e a negação à mudança de rotina não permitem a utilização de técnicas pedagógicas, ditas tradicionais. Assim, as TIC proporcionam não só a criação de ambientes estruturados mas também actividades ou estratégias aplicadas de forma detalhada e sequenciada que motivam a criança autista, tornando possível o seu desenvolvimento, tanto cognitivo como pedagógico.

Introdução às TIC

Numa sociedade em constante mudança, onde é manifesto e inegável o domínio do desenvolvimento tecnológico, a educação terá de ser capaz de dar resposta às necessidades daí decorrentes, de modo a poder enfrentar os novos desafios. Torna-se, portanto, fundamental que a escola comece a manifestar a preocupação em acompanhar essa evolução, pois se não o fizer será completamente ultrapassada e perderá toda a eficácia, tornando-se num sistema anacrónico e nada eficiente.
É hoje impensável não tentar proporcionar aos alunos a quem é diagnosticada a existência de Dificuldade de Aprendizagem a possibilidade de acederem a um ensino individualizado que lhes permita virem a adquirir as competências mínimas e essenciais à sua integração na sociedade. Deste modo, a filosofia que subjaz a qualquer sistema de ensino (por muito tradicionais ou rígidos que sejam os princípios ou filosofias em que se baseia) no sentido de proporcionar igualdade de oportunidades e respeitar as diferenças e características de cada aluno, encarado como um universo particular, tornar-se-á uma realidade. Os professores recorrem cada vez mais ao PC para apresentar as materiais de forma aliciante e diferente, assim as T.I.C. são um valioso contributo no processo ensino de aprendizagem de crianças com N.E.E.
Conscientes da importância que as novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) desempenham no nosso quotidiano são vários os autores a sugerir que cada vez se revela mais necessário possibilitar o contacto dos alunos, ao longo de todo o processo de ensino/aprendizagem, com o mundo das novas tecnologias em geral, com o computador, em particular.
Essa experiência com as novas tecnologias em contínua mutação e aperfeiçoamento permite, por um lado, proporcionar um desenvolvimento integral das crianças, o mais de acordo possível com as exigências do meio onde estão inseridas e, por outro lado, tirar partido de todas as vantagens desta tecnologia que começa a ser encarada como um importantíssimo recurso educativo, com múltiplas capacidades e potencialidades a diversos níveis.
O uso das T.I.C. na sala de aula traz possibilidades novas ao professor que pretende implementar novas estratégias de ensino. Segundo BELCHIOR,“A utilização do computador não deve estar dissociada do currículo que o professor pretende implementar. Para se tirar o máximo partido do uso dos computadores é importante que as actividades feitas com o apoio deste sejam um complemento das actividades educativas gerais.”
É necessário explorar as possibilidades que ele nos oferece, executar alguns programas, utilizar outros já existentes, reconhecer o software e identificar o que pode ser aplicado e qual a melhor forma de o fazer. A correcta utilização do computador e a consequente exploração do diversificado software educativo de que actualmente se dispõe podem revelar-se instrumentos muito eficazes para aperfeiçoar e melhorar o processo de ensino/aprendizagem em diferentes áreas curriculares.
Os alunos também participam no processo de ensino/aprendizagem e em parceria com os educadores/professores, todos aprendem fazendo, que é o que acontece quando se trabalha com um computador. Este pode proporcionar um ensino individualizado, o que inequivocamente facilita a aprendizagem, sobretudo em situações de alunos com dificuldades de aprendizagem, uma vez que pode ser – pelo menos, numa fase inicial – o principal recurso para a recuperação desses alunos ou, então, ser simplesmente utilizado como complemento do ensino dito normal. Nesse caso, não será senão mais um recurso entre todos os outros de que dispõem os profissionais de ensino. Enquanto utensílio pedagógico, pode também contribuir para o desenvolvimento de capacidades cognitivas, motoras, de linguagem ou pré-aptidões para as aprendizagens escolares. 
As crianças estabelecem os primeiros contactos com os computadores através de jogos que funcionam como que uma ligação íntima com a máquina, oferecendo-lhe o prazer de brincar, cativando-a, advertindo-a ao mesmo tempo que aprende a mexer e também a adquirir conceitos e regra, sem dar por isso.
Em contraste com o ensino tradicional o ensino auxiliado pelas T.I.C. é potencialmente capaz de uma considerável adaptação, a cada aluno individualmente. Não é alternativa ao ensino humano dentro da sala de aula, é o professor quem orienta, coordena as actividades a desenvolver, como faz em relação a todos os outros materiais ao seu dispor.
Por isso, a utilização do computador na escola deverá desenvolver as seguintes capacidades:
·         Comunicar ideias e informações de formas variadas;
·         Aprender, armazenar, aceder, modificar e interpretar informação;
·         Avaliar criticamente o conteúdo e a apresentação da informação proveniente de várias fontes;
·         Efectuar investigações matemáticas e explorar representações no computador de situações imaginárias ou reais; (...) Incentivar uma aprendizagem pluridisciplinar assente em projectos de trabalho concreto;
·         “Aprender a aprender” e a realizar progressivamente, actividades de investigação.”
O computador é aquilo que nós quisermos; pode ser quadro, caderno, manual, livro, Enciclopédia, dicionário, lápis, borracha, caixa de cores, um meio alternativo de comunicação,...
Qualquer área pode beneficiar do uso das T.I.C. usando programas específicos ou as ferramentas mais genéricas tais como o processamento de texto, a folha de cálculo, correio electrónico, entre outros. Torna-se assim mais fácil veicular a teoria à prática.
O vertiginoso desenvolvimento das T.I.C. abriu aos cidadãos possibilidades, até ao momento nunca sonhadas, de ver aumentados os seus níveis de conhecimento e a sua qualidade de vida.
O computador tende a ser entendido como a voz, o ouvido, o movimento que a deficiência subtraiu. O “ Admirável Mundo Novo” da informática está cheio de fantásticas promessas.

Quais são os sinais caracteristicos do Autismo?

Não existe uma característica que por si só possa determinar o autismo mas sim um conjunto de dificuldades nos três domínios que caracterizam o autismo.
Os problemas de interacção social: são as características mais evidentes do autismo. Acontece que as crianças autistas não respondem quando as chamam pelo nome e evitam muitas vezes o contacto ocular. Têm dificuldade em compreender as pessoas, os gestos, o tom de voz ou a expressão facial e emoções. Parecem inconscientes dos sentimentos dos outros nem do impacto negativo dos seus comportamentos nos outros. Certas pessoas com autismo têm, por vezes, tendência à agressividade sobretudo quando estão num ambiente estranho ou perturbador, ou quando estão zangadas, frustradas ou sob o efeito da sua hipersensibilidade aos estímulos.        
                                                                                                                                    
 Os problemas de comunicação: mais de metade das pessoas com autismo não falarão durante toda a sua vida. As que falam começam a falar tardiamente e referem-se a si próprias utilizando o seu nome em vez de utilizarem o “eu”. Utilizam a linguagem de maneira pouco comum. Algumas usam apenas uma palavra, outras repetem a mesma frase em qualquer situação. Podem falar de uma forma cantada e monocórdica a propósito de um número restrito dos seus temas favoritos, sem se preocuparem com o interesse da pessoa com quem falam. Independentemente da sua capacidade de falar, todas as pessoas com autismo têm problemas em compreender o sentido da comunicação.                                                                                                                                   Problemas de comportamento: Ainda que as pessoas com autismo tenham a maior parte das vezes aparência física normal e bom controlo muscular, grande parte delas tem movimentos bizarros e repetitivos tais como balançar-se, tocar nos cabelos, ou comportamentos auto-agressivos tais como morder-se ou bater com a cabeça. Estes comportamentos derivam muitas vezes das suas dificuldades de comunicação ou de problemas em compreender o significado social dos comportamentos ou resultam ainda de uma sensibilidade exagerada a certos estímulos sentidos como penosos. A sensibilidade fora de comum ao tacto pode contribuir para a resistência às carícias. Certas pessoas com autismo tendem a repetir as mesmas actividades sem parar. Uma pequena mudança na rotina pode ser particularmente perturbadora. As crianças com autismo raramente brincam ao “faz de conta” ou seja têm dificuldade no jogo imaginativo ou no jogo simbólico.

Autismo

O autismo é uma deficiência grave que afecta a comunicação e a interacção com as outras pessoas mas também com o mundo. De acordo com MARQUES (2000, p.25) “ O termo autismo (…) pode ser definido como uma condição ou estado de alguém que aparenta estar invulgarmente absorvido em si próprio.”.
O grau de autismo varia segundo um eixo que vai de severo a ligeiro, se bem que o efeito seja sempre grave. Uma pessoa pode ter autismo severo com graves dificuldades de aprendizagem e ser assim extremamente deficiente ou ter autismo ligeiro e inteligência normal ou elevada. A maioria das pessoas com autismo tem dificuldades de aprendizagem. O desenvolvimento da linguagem é muito variável no autismo. Certas pessoas têm linguagem desenvolvida tendo contudo limites de compreensão e dificuldades de linguagem, enquanto grande parte daquelas que têm autismo típico não falam. A hipersensibilidade aos barulhos, à luz e ao tacto, ao cheiro tal como uma fraca reacção à dor são muito frequentes. A maioria das crianças não fala e, quando falam, é comum a ecolalia (repetição de sons ou palavras), inversão pronominal. O comportamento delas é constituído por actos repetitivos e estereotipados; não suportam mudanças de ambiente e preferem um contexto inanimado. O isolamento social é outro característico do autismo. Outra particularidade comum no autismo é a insistência na repetição. Por isso é que as pessoas com autismo seguem rotinas, por vezes de forma extremamente rígida, ficando muito perturbadas quando qualquer acontecimento impede ou modifica essas rotinas. O balançar do corpo, os gestos e os sons repetitivos são vulgares, sendo mais frequentes em situações de maior ansiedade.
Lorna Wing (psiquiatra inglesa) após vários estudos, concluiu existir um traço distintivo do autismo isto é uma “Tríade de Impedimentos Sociais “ que se caracteriza por défices na interacção social, na comunicação e na imaginação, que variam ao longo do tempo tanto no seu grau de severidade, quanto na sua forma. Ao conjunto destes três sintomas deu-se o nome de Lorna Wing Tríade. Tal como refere JORDAN (2000, p.12) “ É esta tríade que define o que é comum a todas elas, consistindo em dificuldades em três áreas do desenvolvimento mas nenhuma dessas áreas, isoladamente e por si só, se pode assumir como reveladora de “autismo”. É a tríade, no seu conjunto, que indica se a criança estará, ou não, a seguir um padrão de desenvolvimento anómalo e, no caso de se registar uma deficiência numa das áreas a penas, ela poderá radicar numa causa completamente diferente.”                                  
O autismo é uma doença com um desenvolvimento gradual, assim: em bebés, os autistas não demonstram grande interesse pelo contacto, não sorriem, não olham para os pais, podem apresentar problemas ao nível da alimentação, do choro e do sono. O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade. Pode demonstrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente, pode ter medo de objectos. Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro). Ao brincar, não utiliza o jogo social nem o jogo de faz de conta. Ou seja, não interage com os outros, pode não dar resposta aos desafios ou às brincadeiras que lhe fazem. Não utiliza os brinquedos na sua função própria. Aos 12 meses poderão demonstrar um interesse obsessivo por determinados objectos, revelam comportamentos estereotipados e repetitivos e até atrasos ao nível da locomoção.   Geralmente só a partir dos 24 meses que se podem constatar dificuldades de comunicação – verbal e não verbal. Depois dos 2 anos de idade a criança autista tem tendência a isolar-se, a utilizar padrões repetitivos de linguagem, a inverter componentes das frases, a não brincar normalmente. Dos 2 aos 5 anos de idade o comportamento autista tende a tornar-se mais óbvio. A criança não fala ou ao falar, utiliza a ecolália ou inverte os pronomes. Há crianças que falam correctamente mas não utilizam a linguagem na sua função comunicativa, continuando a mostrar problemas na interacção social e nos interesses. Regra geral, dos seis anos de idade até à adolescência os sintomas mais perturbadores podem diminuir, contudo o problema não desaparece totalmente. Os adolescentes juntam às características do autismo os problemas da adolescência. Podem melhorar as relações sociais e o comportamento ou, pelo contrário, podem voltar a fazer birras, mostrar auto-agressividade ou agressividade para com as outras pessoas.


Introdução ao “Mundo dos Autistas”

Face à emergência do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (T.I.C.) no processo educativo de crianças com e sem Necessidades Educativas Especiais (N.E.E.) debruçamo-nos sobre “Tecnologias de Informação e Comunicação e Crianças com Necessidades Educativas Especiais - Perturbações do Espectro do Autismo”, no sentido de partilhar com outros profissionais, hardware e software que se pode utilizar na prática educativa.
 A escola é considerada como o local de educação privilegiado pela sociedade dos nossos dias que atribui a essa instituição a responsabilidade quase exclusiva no que se relaciona com a formação e educação dos jovens. Neste contexto específico em que assistimos a uma auto-desresponsabilização da sociedade espera-se que seja na escola que se transmitam conhecimentos, se possibilitam aprendizagens, se perspectiva o desenvolvimento integral dos alunos, pois cada vez mais se procura que as crianças desenvolvam de forma equilibrada as suas capacidades e que se vão progressivamente integrando na sociedade de que fazem parte, através do desenvolvimento e aperfeiçoamento do seu sistema de atitudes e valores.
As T.I.C. têm um papel facilitador no ensino aprendizagem. É preocupação de todos os profissionais de educação que todas as crianças possam “viver uma escola inclusiva”. A escola inclusiva só é para todos se a todos der resposta e as T.I.C. são a grande alternativa à aquisição de competências por parte das crianças com Necessidades Educativas Especiais.
O presente estudo tem como base as Perturbações do Espectro do Autismo e o uso das T.I.C. As crianças portadoras desta perturbação embora apresentem dificuldades de se relacionarem e se comunicarem demonstram ter uma boa memória e capacidade de compreender procedimentos lógicos simples, e demonstraremos casos verídicos que comprovam que as T.I.C são um excelente recurso para desenvolver a capacidade de expressão, de criação e de aprendizagem de crianças autistas.
É, pois, nossa pretensão ao longo deste trabalho verificar até que ponto as TIC em geral e o computador pode contribuir para o aperfeiçoamento e melhoria das expressões oral e escrita e de outras competências cognitivas e sócio-afectivas em crianças que apresentam Dificuldades de Aprendizagem, mais propriamente com Autismo.

Tecnologias de Informação e Comunicação e as crianças com necessidades educativas especiais - Autismo



"Para a maioria das pessoas, a tecnologia
 torna a vida mais fácil; para a pessoa
deficiente, a tecnologia torna as coisas
possíveis."   
                                          Sanches(1991,p.121)